ATOLEIRO TRAVA CINCO MIL CAMINHÕES E ESCOAMENTO DA SAFRA DE SOJA

Aproximadamente cinco mil caminhões estão atolados há cerca de um mês em

uma extensão de 50 km da BR-163, no Estado do Pará. Grande parte dos veículos é originário de Mato Grosso e estão carregados de soja. Os caminhoneiros utilizam o trecho para chegar ao Porto de Miritituba, um dos principais locais de escoamento da produção de grãos mato-grossense.
Os trabalhadores estão atolados no local por causa das más condições das pistas na rodovia, que não são asfaltadas e viraram lama com as recentes chuvas.

Por causa da situação, homens do Exército serão enviados para realizar realizar trabalhos humanitários junto aos caminhoneiros.
O coordenador de Logística da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT), Antônio Galvan, disse que ouviu relatos de caminhoneiros que estão descarregando a produção de soja no chão. Segundo ele, ninguém vai escapar dessa situação e dos impactos dessa crise. “Todo mundo vai ter prejuízo, já que a cadeia é muito interligada”, comentou.
Sobre o saldo desses impactos na atual safra, Galvan explicou que ainda vai se reunir com outros representantes do setor para debater a questão. “Dimensionar qualquer coisa por agora é muito prematuro. Essa é uma conta difícil de fazer porque o setor tem muitos elos. E como ainda não sabemos quando vai terminar esse problema, fazer qualquer análise por agora é complicado. O fato é que o prejuízo vai ser grande”, explicou.
Prejuízos

Em nota publicada em seu site, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) informou que “caso a BR-163 se mantenha intransitável, os danos serão irrecuperáveis para o Brasil”.
A entidade também disse que, de acordo com cálculos dela e da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), a cada dia em que os portos ficam impedidos de embarcar mercadorias o prejuízo para as empresas é de US$ 400 mil diários. “Além desse ônus, há prejuízos incalculáveis com descumprimento de contratos, riscos financeiros com produtores e armazéns e, sem dúvida, riscos para a imagem do Brasil”, complementa.

A Abiove também pontuou que as duas associações estimam que nesta safra serão embarcados pelos terminais de Miritituba e Santarém (PA) aproximadamente 7 milhões de toneladas de soja e milho. O órgão também afirmou que de acordo com empresas associadas, há caminhoneiros que levam 14 dias para transportar a mercadoria em um percurso de mil quilômetros e que, nesse período, teria sido possível fazer uma viagem de ida e volta para Santos (SP) ou Paranaguá (PR).
Fila de 50 km
A atuação do Exército e de outros órgãos como a Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi definida em uma reunião na Casa Civil na manhã desta sexta (24). Estiveram presentes na ocasião representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Ministério dos Transportes, Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). O senador José Medeiros (PSD) representou os caminhoneiros.
De acordo com Gilson Baitaca, um dos líderes do movimento dos caminhoneiros em Mato Grosso, a fila de veículos alcança 50 km e começa a partir da região próxima ao município de Novo Progresso (PA). Por causa dessa situação, a condição de segurança e higiene no local está critica.
“Chegam relatos para a gente toda hora. Está tendo problemas de brigas entre caminhoneiros, já que alguns estão querendo passar na frente dos outros na fila, estão dizendo que o consumo de bebida alcoólica está muito alto, que as condições sanitárias estão horríveis já que não tem banheiro. A situação é caótica.”

Baitaca afirmou que o comércio local não está conseguindo suprir a demanda desses trabalhadores e que muitos deles estão ocupando pátios de postos de gasolina. Apesar do grande transtorno, muitas comunidades locais estão ajudando os caminhoneiros com comida e água. Segundo Baitaca, alguns produtores estão matando e cozinhando alguns bois para distribuir entre os locais.

O representante da classe argumentou que existe uma equipe do Dnit na região, que estava trabalhando para asfaltar a pista, mas que o suporte foi muito pequeno e que, por isso, o problema já era previsto.
“A situação começou a complicar mesmo no início do mês, quando as chuvas se intensificaram. São cerca de 80 km que não estão asfaltados porque são locais que ficaram por último. Isso acabou gerando esse caos. Toda essa parte que eles [caminhoneiros] estão é de barro e com a chuva não tem como andar mesmo”, argumentou.

Fonte:RD News

fotos Via Whatssap



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