Chefe da polícia de Berlim admite: detido pode não ser autor do ataque

"Ainda não foi possível confirmar", admitiu Klaus Kandt. Procurador-geral
alemão reconhece também que circunstâncias do ataque estão por explicar
Klaus Kandt, o chefe da polícia de Berlim, disse aos jornalistas que ainda não foi possível confirmar se o suspeito detido é efetivamente o responsável por conduzir um camião contra centenas de pessoas num mercado de Natal em Berlim. Antes, o diário alemão Die Welt avançava que um alto responsável das forças de segurança acreditava ter detido o homem errado. "Temos o homem errado", terá dito. "E, portanto, uma nova situação. O verdadeiro autor está armado, em fuga e pode causar novos danos".
Entretanto, a polícia de Berlim pediu "precaução", sublinhando que o detido nega estar implicado nos factos e, por isso, mantém-se "particularmente alerta".
Em conferência de imprensa ao início da tarde, o procurador-geral alemão Peter Frank confirmou: "Não sabemos definitivamente se há um autor ou vários, se esta pessoa teve cúmplices". Frank explicou que as autoridades estão a trabalhar assumindo que se tratou de um atentado, mas que na ausência de reivindicação não é possível "dizer algo de definitivo" sobre as circunstâncias do ataque. E acrescentou que a investigação prossegue, que há vídeos do momento a ser analisados e que a autópsia ao corpo do cidadão polaco encontrado na cabina do camião está a decorrer - seria ele o condutor habitual do veículo, alegadamente assassinado pelo terrorista que o neutralizou para desviar o camião e concretizar o ataque.
Segundo o procurador-geral, o facto de o ataque ter acontecido num mercado de Natal é "simbólico": o estilo e o alvo do atentado fazem crer numa eventual ligação ao radicalismo islâmico, mas nada está provado até ao momento.
Suspeito é paquistanês e requerente de asilo
O ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, confirmou aos jornalistas que o suspeito do ataque com um camião em Berlim é um cidadão paquistanês e requerente de asilo. Entrou na Alemanha a 31 de dezembro de 2015 e chegou à cidade no passado mês de fevereiro.
A informação surge depois de a chanceler alemã, Angela Merkel, ter assumido que seria "especialmente difícil aceitar", se se confirmasse "que a pessoa que cometeu este ataque procurou proteção e asilo na Alemanha".
Angela Merkel afirmou hoje que as autoridades do seu país acreditam que o atropelamento no mercado de natal em Berlim foi um "atentado terrorista". "De acordo com o que sabemos, temos de assumir que se tratou de um ataque terrorista", disse aos jornalistas a chanceler, citada pela agência France Presse, visivelmente emocionada e vestida de preto.
O presumível atentado terrorista registado no mercado em Berlim, em que um camião irrompeu sobre as pessoas que visitavam o local, resultou na morte de 12 pessoas e em 48 feridos.
O ministro do Interior alemão informou entretanto que 18 dos feridos estão em estado grave.
Entre as vítimas mortais, acrescentou o governante, está um homem que foi encontrado sem vida no banco do passageiro do camião, com ferimentos de bala. A polícia está a tentar determinar a hora da morte e a arma usada no crime não foi localizada. Recorde-se que no veículo seguiam duas pessoas: o alegado condutor, entretanto detido, e um outro homem, presumivelmente o cidadão polaco cuja morte foi confirmada pela primeira-ministra da Polónia. "É com dor e tristeza que recebemos a informação de que a primeira vítima deste odioso ator de violência foi um cidadão polaco", disse Beata Szydlo.
Este polaco seria o motorista habitual do veículo, e que segundo relatos da família tinha ficado incontactável desde a tarde de segunda-feira, alegadamente neutralizado pelo autor do ataque.
Thomas de Maiziere esclareceu ainda que o suspeito de estar ao volante do camião, um paquistanês requerente de asilo, nega estar implicado no ataque. Identificado pela imprensa alemã como Naved B., terá nascido em 1993 e foi já longamente interrogado pelas autoridades.
A polícia terá estado na madrugada desta terça-feira num hangar do aeroporto de Tempelhof, que funciona como centro de acolhimento para refugiados e onde o paquistanês estaria instalado. Esta informação não foi, no entanto, confirmada oficialmente. A revista alemã Focus adianta ainda que as autoridades estão a examinar um telemóvel apreendido durante as buscas.

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