Ônibus de transporte escolar fazem comboio por salários no DF

Eles dizem que pagamento está atrasado há 63 dias.
Secretaria de Educação informou que negocia com empresa.


Do G1 DF

Ônibus de transporte escolar que participaram de ato no DF por pagamento de salários atrasados (Foto: Gabriela Berrogain/G1)Ônibus de transporte escolar que participaram de ato no DF por pagamento de salários atrasados (Foto: Gabriela Berrogain/G1)
Motoristas de transporte escolar que prestam serviço para o governo do Distrito Federal fizeram um comboio entre a Ponte do Bragueto e a Secretaria de Educação, na 607 Norte, na manhã desta quarta-feira (3) em protesto contra atraso de 63 dias no pagamento dos salários. Eles informaram que realizaram o ato no intervalo entre deixar e buscar os estudantes nas instituições de ensino.
O serviço é terceirizado e de responsabilidade da empresa Transfer, que diz não ter recebido repasse. Os motoristas afirmam que, caso não haja avanço na discussão, pretendem entrar em greve na próxima segunda-feira.
Em nota, a Secretaria de Educação informou que ainda não fez o repasse relativo a abril porque a Transfer não entregou a documentação exigida. "A secretaria aguarda a apresentação dos documentos, para análise, e assim, proceder o pagamento."
Motoristas de transporte escolar exibem faixas usadas em protesto contra atraso no pagamento de salários no DF (Foto: Gabriela Berrogain/G1)Motoristas de transporte escolar exibem faixas usadas em protesto contra atraso no pagamento de salários no DF (Foto: Gabriela Berrogain/G1)
De acordo com os motoristas, cada ônibus trabalha em dois turnos e atende 45 alunos. São 50 linhas, que passam pelo Paranoá, Sobradinho, Planaltina, Guará, Estrutural, Cruzeiro, Lago Norte, Lago Sul, Varjão e Asa Norte. Os pagamentos feitos até esta quarta teriam contemplados apenas os funcionários com iniciais de A a L.
O motorista René Guimarães Batista se disse desconfortável com a situação. "Tenho uma criança especial que toma remédios neurológicos, pago aluguel, tenho outros filhos fora do casamento. Não é correto deixar os alunos na mão, mas não dá mais. Queremos que o governador venha, marque uma entrevista para tentar negociar."
A monitora Rosemaria Silva afirmou estar com dificuldades por causa da falta do dinheiro. "Segunda eu chorei para o meu chefe, para ele tentar conseguir esse dinheiro. Preciso pagar meu aluguel, estão me cobrando, tenho um filho de 5 anos para criar, e ele fica falando que vai ver o que pode fazer."
 "Meu gás acabou, minha geladeira está vazia, meu filho pergunta o que tem para comer, e eu só choro. Dependo disso pra viver. Como eu vou trabalhar para não conseguir comprar nem um pão?", questionou a mulher.
Encarregado dos motoristas e monitores da Transfer, Wendel Machado disse que a situação está "muito difícil" e que até o combustível está em falta. "Corremos o risco de ficar no meio da rua. Aguentamos até onde deu. Muitas pessoas vêm falar para mim das dificuldades que estão passando em casa, às vezes eu não sei nem o que dizer. Penso em mandar para casa mas não vai mudar nada."
A Polícia Militar informou que havia cerca de 150 ônibus no ato. A concentração ocorreu às 9h na Ponte do Bragueto. De lá, o grupo seguiu pela faixa da direita pelo Eixão, passou pela Rodoviária do Plano Piloto, atravessou o Buraco do Tatu e seguiu na direção da L2 Norte. O trânsito ficou congestionado na região.

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