Greve fecha agências bancárias em São Paulo nesta terça-feira

Bancários pedem aumento real de 10,25% e maior participação nos lucros.
Na região central, funcionários bloqueavam entrada em agência.

Os bancários entraram em greve por tempo indeterminado a partir desta terça-feira (18), segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT). A movimentação de grevistas nos bancos da Avenida Paulista, na região central da capital,  começou logo cedo. Ainda antes das 10h, representantes do sindicato bloqueavam a entrada de pessoas em agências ou entregavam panfletos sobre a paralisação.
De acodo com a confederação, a intenção dos bancários é fechar as agências, mas caixas eletrônicos e bancos pela internet devem continuar funcionando. Segundo balanço parcial feito pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, 13 mil trabalhadores participaram das paralisações durante esta manhã. Ainda segundo o sindicato, 402 instituições bancárias – entre agências e centros administrativos – fecharam nesta terça parcialmente ou totalmente. De acordo com a assessoria do grupo, um novo balanço deve ser divulgado no final do dia.
Funcionária coloca cartaz de greve em agência na Avenida Paulista (Foto: Fábio Tito/G1)Funcionária coloca cartaz de greve em agência na
Avenida Paulista (Foto: Fábio Tito/G1)
"Negociamos que só ficariam quatro pessoas lá dentro. Se deixarmos mais gente entrar, a Febraban não vai sentir a greve", disse ao G1Mirna Silva Roubien, que trabalha na formação do sindicato.
Do lado de fora, funcionários da agência aguardavam para saber se poderiam entrar para trabalhar e ouviam instruções das representantes do sindicato. "Não estamos aqui para fazer uma baderna, estamos para exigir salários melhores para eles também", disse Mirna.
A correntista Isaura Lopes, de 84 anos, foi à agência mesmo sabendo da greve, na esperança de conseguir pagar uma conta de assistência médica. "Tenho a conta aqui há muitos anos, e sempre quebram um galho. Desta vez não tem ninguém para ajudar. Acho uma coisa errada, porque uma pessoa de idade não tem a habilidade para mexer no caixa eletrônico", afirmou.
Vendedor de imóveis não apoia o movimento (Foto: Letícia Macedo/ G1)Vendedor de imóveis não apoia o movimento
(Foto: Letícia Macedo/ G1)
Região da Faria Lima
A reportagem do G1 encontrou várias agências fechadas na Avenida Faria Lima, principalmente no trecho entre as avenidas Cidade Jardim e Rebouças. O promotor de imóveis Waldomiro Campos, de 64 anos, procurou uma agência do Bradesco para sacar dinheiro, porque está com o cartão bloqueado. “Eu pedi um cartão novo, mas ele vai demorar 15 dias para chegar. Por isso, eu vim até a agência e estou saindo sem dinheiro. É um absurdo essa greve. Minhas contas vão vencer e eu vou ter que pagar com juros”, disse.

O aposentado José Antônio Simionato , de 67 anos, procurou uma agência da Caixa Econômica, na Avenida Cidade Jardim. Embora as portas estivessem abertas, uma faixa anunciava a paralisação. “O problema é grande quando o cliente precisa resolver alguma coisa com uma agência específica. Eu precisava pegar um documento com uma gerente. Como eu também preciso fazer uns depósitos, eu vou procurar agência em uma outra região da cidade”, contou.
 
 Isaura Lopes foi à agência mesmo sabendo da greve e não encontrou ninguém para ajudá-la (Foto: Fábio Tito/G1)Isaura Lopes foi à agência mesmo sabendo da
greve e não encontrou ninguém para ajudá-la
(Foto: Fábio Tito/G1)
Na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, no Brooklin, as agências funcionavam normalmente. Segundo a Contraf-CUT, o número de agências que aderiram à greve em todo o Brasil deverá ser conhecido perto das 18h desta terça.
ObrigaçõesApesar da paralisação, o consumidor  não fica dispensado de pagar faturas, boletos bancários ou qualquer outra cobrança. No entanto, para isso, a empresa credora ou concessionária de serviço deve oferecer outras formas e locais para que os pagamentos sejam feitos, conforme alertou a Fundação Procon-SP.
A recomendação do Procon é que o consumidor entre em contato com a empresa e peça essas opções de forma de pagamento, como por internet, sede da empresa, casas lotéricas ou código de barras para pagamento nos caixas eletrônicos.
De acordo com o diretor de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr, não é possível informar quais cidades ou estados terão as agências fechadas já a partir do horário de abertura. Um balanço da paralisação deve ser divulgado pela confederação no fim da tarde de terça.

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