Governador do DF admite suspeita de que havia estrutura no Caje para matar internos

Agnelo Queiroz promete demolir a unidade e construir praça da cidadania no local

O governo do Distrito Federal Agnelo Queiroz admitiu nessa quinta-feira (13) que existe a suspeita de que havia, no Caje (hoje Unidade de Internação do Plano Piloto, antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado) , uma estrutura organizada para matar internos. Agnelo conversou ao vivo com Henrique Chaves no Balanço Geral DF.

— Foi feita a transferência de 23 internos para desarticular uma estrutura que estava montada anteriormente para assassinar alguns dos internos. A polícia civil investiga, e ainda não finalizou a investigação, da que há uma relação [entre internos e grupos de fora] de fora no Caje.

O governador disse ainda que vai demolir o Caje e construir novas unidades. Não disse, no entanto, quando isso vai acontecer.

— O Caje é uma tragédia humana. Quero demolir o Caje e construir uma praça da cidadania naquele local. O Caje existe desde 1976 com problemas recorrentes e nenhum governador endrentou isso, mas eu vou enfrentar. Vou construir três unidades e vou construir cinco no total. Unidades menores que vai permitir política adequada.
Após a terceira morte por enforcamento e as denúncias de péssimas condições de internação do Caje, representantes do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) fizeram uma vistoria na unidade. A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, também esteve no local.

Em meio à crise, o governador Agnelo Queiroz se reuniu na noite desta quarta-feira (12) com o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto, para discutir a situação.

Para tentar conter a onda de violência entre os internos, na terça-feira (11), a Secretaria da Criança e do Adolescente do DF transferiu 22 internos do antigo Caje (Centro de Atendimento Juvenil Especializado)- hoje chamado UIPP (Unidade de Internação do Plano Piloto) para o DPE (Departamento de Polícia Especializada) da Polícia Civil do Distrito Federal.

Os internos transferidos são maiores de idade.

No entanto, uma decisão judicial determinou a volta dos internos para outras unidades (antigo Ciago,do Recanto das Emas e antigo Ciap de Planaltina), na manhã desta quinta-feira (13).

Em agosto, a Secretaria da Criança já havia transferido 24 adolescentes do sexo feminino do antigo Caje (Centro de Atendimento Juvenil Especializado) para a Unire (Unidade de Internação do Recanto das emas), que teve o módulo reformado para receber as internas.

As mortes


No último sábado, um menor foi morto enfocado dentro do Caje, no terceiro caso de morte por enfocamento na unidade em três semanas. A primeira aconteceu em 21 de agosto e a segunda no início setembro.

Em julho, outro adolescente de 17 anos foi morto em julho dentro da Unidade Internação de Planaltina, o antigo Ciap.

O fechamento do Caje foi determinado em outubro de 2011, mas a instituição continua funcionando. A capacidade é para 167 menores, mas atualmente, mais de 400 jovens cumprem pena socioeducativa na instituição.
Caje desativado

Neste semana, em nota divulgada à imprensa, a Vara de Execução de Medidas Socioeducativas do Tribunal de Justiça do DF e Territórios informou que até o fim do ano todos os menores do Caje serão transferidos para uma unidade provisória, com capacidade para 300 internos, separação por faixa etária e funcionamento de escola e oficinas profissionalizantes.

Já a transferência definitiva, deve demorar um pouco mais, uma vez que os novos centros de internação só devem ficar prontos em meados de 2013.

Até lá, o GDF garantiu que vai realizar revistas assíduas nas dependências da unidade e intensificar o policiamento ostensivo na área externa. As medidas foram tomadas para tentar que novas mortes aconteçam no centro.
 

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