SOS CONCRETO, SALVEMOS O RIO DAS PEDRAS

O engenheiro me ligara comunicando o erro de estimativa de volume de concreto. Como imaginara que a área a concretar era idêntica a da laje superior pediu de primeira a mesma quantidade. Esquecera que na concretagem anterior, além da laje de um trecho pedira concreto para os pilares de outro. Resultado, sobrara 20m³.

Paciência, erros colossais também acontecem e hoje um engenheiro ganha bem o suficiente para arcar com qualquer rebarba mal calculada. Fomos dormir para assimilar as lições do malfeito durante o sono.
No outro dia acordei encafifado não mais com o prejuízo, mas com que rumo teria tomado o excesso de concreto percebido apenas às sete da noite com os caminhões já na porta do canteiro. Tornei a ligar para o engenheiro que arguido sobre o fato retrucou que o concreto havia sido devolvido sem que ouvisse maiores queixas da central.
“Estranho…” pensei com meus botões, “nem sequer uma admoestação?!”. Lembrei que tempos atrás o gerente da concreteira havia me solicitado o nome de um empreiteiro de piso pois pretendia trocar todo o piso do pátio da usina, posteriormente o empreiteiro que indiquei me comentou que não havia sido procurado pelo gerente. Comecei a entender o que havia ocorrido, o tal piso provavelmente estaria sendo feito aos poucos e contando com a colaboração das rebarbas de tantas concretagens.
Liguei para o gerente e já fui cobrando o dinheiro do meu concreto utilizado por ele na noite anterior, descontaria apenas o que ele gastara com as horas extras do motorista, do vigia noturno e do responsável pela central. Ele achou engraçado e confirmou a tática que vem sendo utilizada por ele, um grande mutirão de sustentabilidade que conta com a colaboração de várias construtoras de Brasília.
Não achei ruim a ideia não, pelo contrário, já pensou ter de lançar 20m³ de concreto em lixão clandestino? Às vezes, preocupados com o óbvio deixamos que ideias originais tomem a frente de soluções conservadoras e inúteis. No caso o óbvio é multar a concreteira que for pega lançando o concreto em local inapropriado, original seria fazermos como faz agora meu amigo gerente, deixa o piso pronto aguardando apenas a contribuição “voluntária” de algum construtor parceiro.

Já pensou se o poder público organizasse alguns mutirões em prol da comunidade e deixasse prontas algumas áreas aguardando apenas a “doação” de concreto? Seria como no caso de transplantes que utilizam órgão de pessoa recém falecida, tudo muito rápido para que o órgão ainda são possa salvar a vida de um desenganado.
Criar-se-ia um 190 específico, ao aviso da concreteira a administração cadastrada mobilizaria alguns técnicos, chamaria gente da comunidade e o concreto, ainda no prazo de validade, seria utilizado. Seria uma reedição turbinada das tais formas prontas para execução de meio fio que sempre sugerem nos canteiros.
A história acima é real, a sugestão é válida e trato dela chateado com a notícia publicada pelo Globo Online de 7 de agosto enviada pelo correspondente aqui do blog, o Eduardo, que não está desaparecido, eu é que parei de utilizar por um tempo seus valorosos préstimos. Segundo a matéria cinco prédios construídos sem qualquer embasamento técnico terão de ser demolidos pela defesa pública, pois correm o risco de entrar em colapso. Os prédios, ou projetos de…, estão prontos há oito anos e, pertinente com a foto do fotógrafo Pablo Jacob do “O Globo”, parecem que sempre foram paisagens para a prefeitura. Deixam que façam tudo errado e finjam não ver, quando a tragédia acontece, ou quase, então tomam partido pela legalidade e liquidam com a vida do pobre cidadão, que de uma hora para outra perdem todo o pouco que tinham.
Vejam na foto que não há reboco nas fachadas, pois os moradores não têm como arcar com os custos. Pensem no quanto a Construção Civil ainda desperdiça de argamassa, a despeito da melhoria de qualidade dos processos construtivos. Já pensou se nossa classe, junto com o governo e a sociedade fizesse tipo “mutirões de córnea” e de tempos em tempos resolvêssemos a vida de cidadãos como os de Rio das Pedras, cidade do Rio de Janeiro, palco desta infeliz ocorrência?
Na sexta feira dia 10 de agosto conversava com um primo acerca da rapidez com que foi construída uma bonita igreja presbiteriana ao lado da casa de meu tio e aonde até pouco tempo existia um barraco velho de madeira. Ele me falou que uns 50 fiéis se uniram, colocaram a mão na massa e em poucos finais de semana a igreja estava erguida. Se a união faz a força serve para o pátio da concreteira e para a igreja porque não serviria para o Rio das Pedras?

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