Test-drive: renovado, VW Gol vai para a guerra contra japoneses e coreanos


Melhor popular para quem gosta de dirigir, hatch é pobre em equipamentos


Gol 1 G
O carro mais vendido do Brasil mudou. Trata-se de uma mudança predominantemente estética, mas que, ainda assim, mostra como a Volkswagen está se preparando para a chegada de novos concorrentes a um segmento que representa metade de todos os carros vendidos no País.


O Gol (a partir de R$ 27.990), modelo que há mais de duas décadas ocupa o topo da tabela de vendas, quer continuar nessa posição e, para isso, precisará derrotar não só o arquirrival Fiat Palio, mas também os asiáticos que estão por chegar. Sim, Toyota Etios e Hyundai HB (nome provisório) chutarão a porta com grandes ambições a partir do final deste ano.

Visual acertado



O que fez a Volkswagen, então? Em primeiro lugar, deu um belo tapa no visual do Gol e de sua versão sedã, o Voyage. Diz-se, não sem alguma razão, que todos os carros da VW têm a mesma cara. Ainda assim, basta bater o olho no popular alemão para notar como, com algumas mudanças aparentemente simples, ele melhorou.
A frente tem novos faróis, maiores e mais retilíneos, similares aos já encontrados em modelos como Fox e Jetta. A grade escurecida e as novas linhas do para-choque criam um bem-vindo efeito agressivo.


As novas lanternas do Gol, similares às do Polo europeu, foram redesenhadas e ganharam novo esquema de luzes, que exibe ótimo resultado durante a noite. Com essas mudanças, também passaram por modificações a tampa do porta-malas e o para-choque traseiro.
Gol 2 G
Mais quadradas, lanternas lembram as do Polo europeu, o que é muito bom (Divulgação)


Não tenha dúvidas: ainda dá para perceber claramente que este é um Gol. Se formos contar a partir do número de plataformas, trata-se de uma atualização da segunda geração, lançada em 2008. Mas, se a contagem for feita a partir do número de renovações visuais, este seria o G6.


Seja como for, o Gol melhorou. O interior também recebeu novas forrações nos bancos, novos difusores de ar-condicionado e iluminação do painel de instrumentos por LEDs brancos. Como era de se esperar, tudo ainda é feito com plástico duro, que poderia ter recebido um aplique aqui e outro ali para quebrar a monotonia. Atrás, o compartimento do cinto de segurança tem feias rebarbas, enquanto os bancos parecem quadrados e antiquados, embora sejam confortáveis.


Conteúdo pra quê?


R7 optou por testar o Gol com motor 1.0 flex (até 76 cv de potência), mais barato e responsável pela maior parte das vendas. A VW fez pequenas alterações no propulsor para gerar economia de combustível de até 4% e melhorar o torque em baixas rotações. A unidade avaliada também era equipada com o chamado pacote BlueMotion, que consiste de pneus de sílica mais duros e estreitos, que ajudam a diminuir o consumo, e de um sistema eletrônico que dá “dicas” ao motorista sobre como dirigir de forma econômica.


O pacote, é claro, é opcional. Aliás, muita coisa no Gol é opcional. Eu disse muita coisa? Quase tudo no Gol é opcional. O gerente de marketing e produto da VW, Henrique Sampaio, afirma que, diante da ameaça de Toyota e Hyundai, a marca optou por equipar mais o carro. O fato, no entanto, é que ainda é muito difícil ver isso.


Veja esta lista de itens de série: travas elétricas, vidros elétricos dianteiros, banco do motorista com regulagem de altura, desembaçador, limpador e lavador do vidro traseiro, alavanca de seta com função automática (um toque gera três “piscadas”).


Sentiu falta de air bag duplo e freios ABS, que serão obrigatórios em todos os carros a partir de 2014? Nós, também. Quer direção hidráulica, ar-condicionado ou um simples ar-quente? Pague mais.


A verdade é que, diante de uma concorrência que aposta em modelos mais equipados desde as versões básicas (vide Palio e Grand Siena), o Gol ainda parece estar atrás. Essa estratégia de oferecer carros pelados e depois vender os itens mais essenciais dentro de pacotes (Trend, I-Trend, Power) não é nova, mas continua a ser irritante. Quando o assunto é air bag e ABS, então, essa ausência já passa a ser desrespeitosa.


Gol 3 G
Interior tem iluminação branca no painel, novas saídas de ar e novo rádio (Divulgação)


O lado certo da força


Mas alguma coisa a Volkswagen deve estar fazendo certo. Afinal, este é o carro mais vendido do Brasil. Além de toda a tradição e fama de robustez que o nome Gol carrega, existe um fato inegável: para quem dirige, ele é imbatível nessa faixa de preço.


Nem todo mundo liga para a maneira como um carro se comporta em curvas ou para o jeito que ele responde quando o motorista reduz uma ou duas marchas. Se você está dentro desse grupo, provavelmente será mais bem servido por um Palio (mais equipado) ou por um Renault Sandero (mais espaçoso).


Mas, se você espera que um carro entregue “sensações ao dirigir”, será difícil fugir do Gol no segmento de entrada. Há algumas razões para isso, mas vamos enumerar três: câmbio, suspensão e direção.


A caixa manual de cinco marchas do Gol, que também equipa outros modelos da VW, é simplesmente a mais bem acertada do Brasil. Os encaixes precisos, os engates curtos e a excelente relação de velocidades ajudam o condutor a encontrar aquele ponto de equilíbrio entre conforto e esportividade tão difícil de ser achado em outros modelos.


A suspensão (independente na frente, com eixo de torção atrás) também prima pelo excelente acerto. Se um dia você puder fazer esta comparação, entre com um Palio em uma curva fechada e, em seguida, percorra o mesmo trajeto com o Gol. Nós já fizemos isso, e a diferença, eu garanto, é simplesmente brutal. Enquanto o hatch da Fiat começa a rolar e a “cantar” quase que imediatamente, o modelo da VW permanece firme.


Quando guia, o motorista também consegue “conversar” com o carro. Esse papo metafórico acontece por meio das mãos no volante, que transmite o que o asfalto quer dizer e responde com rapidez quando o proprietário dá alguma ordem. Está muito rápido na curva? É possível sentir imediatamente. A aderência está baixa por causa do piso molhado? É quase como se os pneus fossem os seus próprios pés.


Você deve ter reparado que não falei muito do desempenho do motor 1.0. Isso ocorre simplesmente porque ele se parece com quase todos os propulsores dessa categoria. O torque em baixas rotações de fato parece ter melhorado um tiquinho (o máximo é de 10,6 kgfm a 3.850 rpm), mas ainda é necessário reduzir uma ou até duas marchas para manter o mínimo fôlego em subidas. Bem, vamos falar a verdade: é preciso encher pra valer o motor, jogar as rotações lá para cima. E aí, meu amigo, não há BlueMotion no mundo que salve o consumo (9,6 km/l na cidade e 13,9 km/l na estrada, com etanol, segundo a fabricante).


Por isso, se você pretende mesmo comprar um novo Gol, escute este conselho: gaste R$ 4.000 a mais e leve um modelo 1.6, que entrega até 104 cv de potência. Você será muito mais feliz.
                                                                                                                           

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