Test-drive: novo Chevrolet Sonic tenta ser o GM descolado

Compacto que custa a partir de R$ 46,2 mil usa motor 1.6 e traz bons itens de série


Sonic 1 GDivulgação
Modelo com carroceria hatch deve ser responsável por 60% das vendas do Sonic no Brasil

 
Lucas Bessel, do R7, em Armação dos Búzios (RJ)*
Pergunte a senhores com mais de 50 anos qual é o melhor carro que eles já dirigiram. É bem provável que, entre um Volkswagen e outro, você ouça como resposta Monza, Omega, Vectra e até Opala. Pois é justamente nesse público que a Chevrolet não aposta ao trazer para o Brasil o Sonic, novo compacto que chega em versões hatch e sedã e custa a partir de R$ 46,2 mil.

Claro, isso pode soar como discurso de marqueteiro, e de fato é. Mas nem sempre os marqueteiros estão errados: às vezes, só exageram um pouco. A verdade é que basta olhar para o Sonic, por dentro ou por fora, para perceber que os tiozões de 50 anos ou mais definitivamente não são seu público.

De acordo com a General Motors do Brasil, o Sonic vai competir com Honda Fit, novo Citroën C3 (que chega no segundo semestre), Volkswagen Polo, Ford New Fiesta e Fiat Punto (que receberá facelift em breve). Em termos de imagem, no entanto, é mais provável que os dois últimos sejam os principais rivais do novo Chevrolet. São, afinal, mais jovens.

O visual, tão valorizado pelo público dos 20 aos 35 anos, é no mínimo polêmico no caso do Chevrolet Sonic. Enquanto a frente robusta, com faróis sem lentes, é mais agradável, passando impressão de "força", a traseira conta uma história completamente diferente. No hatch, as lanternas com cromados envoltos por moldura plástica passam longe da unanimidade. Já o sedã peca pela falta de inspiração, com um certo "sentimento Cobalt" (carro que é referência em feiura).

No interior, a Chevrolet também foi ousada. O painel — inspirado em motocicletas, sabe-se lá por que — é composto por um conta-giros analógico e uma tela de LCD que traz velocímetro e computador de bordo. O resultado, mais uma vez, fica no "ame ou odeie". Volante e botões de ar-condicionado, já vistos no Cruze, combinam bem com o aspecto geral.

Ainda por dentro, o Sonic mostra acabamento muito competente. Talvez por ser importado da Coreia do Sul (no futuro, pode vir do México), o carro é mais bem finalizado do que o próprio Cruze, sem apresentar qualquer rebarba aparente. De estranho, apenas a utilização de dois padrões diferentes para as saídas de ar-condicionado (redondas e quadradas), que também não combinam com os dois porta-objetos colocados à direita e à esquerda do rádio — mas que são perfeitos para abrigar o seu Toddynho.

Por falar em porta-objetos, há 14 deles espalhados pela cabine, mas nenhum nas portas traseiras, que, no caso do hatch, têm as maçanetas externas colocadas na altura da coluna C, em um arranjo interessante que reforça a ideia de esportividade.

Sonic 2 G
Traseira do Sonic hatch tem desenho polêmico, do tipo "ame ou odeie" (Divulgação)
Motor e equipamentos

O Sonic marca a estreia do motor 1.6 Ecotec 16V flex que gera 116/120 cv de potência a 6.000 rpm (gasolina/etanol) e excelente torque de 15,8/16,3 kgfm a 4.000 rpm.

O novo carro da GM chega ao Brasil com duas versões (LT e LTZ) para cada carroceria. O câmbio é manual de cinco velocidades, mas pode, opcionalmente, virar automático de seis marchas (igual ao do Cruze) no caso do modelo mais caro. Veja abaixo a tabela de preços completa.

- Sonic LT hatch: R$ 46,2 mil
- Sonic LT sedã: R$ 49,1 mil
- Sonic LTZ hatch: R$ 48,7 mil
- Sonic LTZ hatch automático: R$ 53,6 mil
- Sonic LTZ sedã: R$ 51,5 mil
- Sonic LTZ sedã automático: R$ 56,1 mil

De série, o carro vem equipado com ar-condicionado analógico, trio elétrico, air bag duplo, direção hidráulica, computador de bordo, freios ABS, rodas aro 15 e rádio/CD/MP3.

Já a versão LTZ ganha faróis de neblina, sensor de estacionamento traseiro, apliques cromados, descanso de braço central, rádio com sistema Bluetooth para telefone, controle de cruzeiro e volante multifuncional, entre outros.

Como opcional, e apenas no modelo LTZ, a GM oferece a já mencionada transmissão automática e os bancos de couro.

Sonic 3 G
Com desenho menos inspirado, Sonic sedã tem suspensão mais macia (Divulgação)
Na estrada e nas ruas
A primeira — e talvez mais importante — coisa que o potencial proprietário do Sonic precisa saber é que o câmbio manual é uma opção muito mais acertada para quem busca prazer ao dirigir.

Embora faça falta uma sexta marcha para diminuir as rotações em condições de estrada, a caixa de cinco velocidades é muito precisa, tem ótimos encaixes e é otimamente escalonada. O conjunto formado com o motor 1.6 entrega um carro que, se não acelera de forma empolgante, proporciona segurança em ultrapassagens e retomadas.

Se a opção é pelo conforto, o câmbio automático é a escolha. Mas fique ligado: a transmissão de seis marchas é por vezes indecisa e um tanto áspera nas respostas, que são demoradas. Há opção de trocas manuais, mas o sistema, acionado por um pequeno botão na alavanca (igual ao da Captiva), está longe de ser ideal. Por R$ 5.000 a mais, é de se pensar se vale a pena.

O motor 1.6 com comando continuamente variável de válvulas e coletor que adapta o tamanho da passagem de ar às rotações instantâneas é uma boa surpresa. Não entrega potência tão alta quanto os blocos mais modernos, mas tem bom torque a partir das 2.200 rpm. O consumo mostrado pelo computador de bordo em percurso majoritariamente rodoviário foi apenas razoável: 9,5 km/l de gasolina. É importante salientar, no entanto, que boa parte do trajeto foi feita com rotações altas.

A direção hidráulica do Chevrolet Sonic é bastante comunicativa e responde muito bem durante a rodagem, até melhor que a do New Fiesta. Em altas velocidades, não é excessivamente mole nem passa insegurança. Em compensação, o sistema elétrico da Ford ganha quando o assunto é facilidade ao manobrar. Nessa situação, o Sonic é bem mais pesado.

A posição de dirigir é favorecida pelos ajustes de altura e distância do volante e do banco. De fato, é muito fácil e rápido chegar ao acerto ideal nesse carro. Já o barulho de rodagem, especialmente dos pneus, tende a ser excessivo em altas velocidades.

O modelo com carroceria hatch tem suspensão (McPherson na frente, eixo de torção atrás) mais rígida do que o esperado. É ótima na estrada e transmite segurança em trechos sinuosos. Mas, na cidade, pode desagradar a quem está acostumado com a "moleza" de parte dos carros brasileiros. Já o Sonic sedã, mais voltado à família, ganhou ajuste suave, que cobra seu preço quando o carro está totalmente carregado, exigindo curso total dos amortecedores em desníveis e buracos.

Com 2,52 m de entre-eixos e 1,73 m de largura, o Sonic oferece bom espaço interno. Os ocupantes da frente não se tocam e quem vai atrás tem bastante espaço para cabeça e pernas, mesmo os mais altos. A pergunta que fica é por que a Chevrolet não colocou um mísero apoio de cabeça e um cinto de segurança de três pontos para o passageiro do meio.

Outro ponto crítico, no caso do sedã, é a posição do vidro traseiro. Avançando sobre o teto, ele faz com que as cabeças dos ocupantes recebam quase 100% da luz do sol. O resultado é que, mesmo com o ar-condicionado "bombando", os passageiros de trás passam calor em um dia muito claro. Nesse ponto, os engenheiros vacilaram (ou não pensaram em países tropicais, como o Brasil).

Sonic 4 G
Volante e rádio são as principais diferenças internas entre as versões LT, em cima, e LTZ (Divulgação)
Mercado 
A General Motors do Brasil espera vender de mil a 1.200 unidades do Chevrolet Sonic por mês. Embora especule-se que o modelo possa ser importado do México a partir do fim do ano, a informação não é confirmada pelo vice-presidente da montadora na América do Sul, Marcos Munhoz.

— Há um problema de capacidade de produção, sem falar na questão das cotas de importação de carros feitos no México. No nosso caso, essa cota é preenchida por inteiro pela Captiva.

Caso o Sonic realmente passe a ser importado do México, será que o preço vai cair? É provável que sim, mas, segundo Munhoz, "não muito, ou quase nada".

É uma pena. O Chevrolet Sonic é um bom carro, um dos melhores que a GM lançou no Brasil nos últimos anos. E seria ainda melhor se custasse R$ 5.000 a menos.

Sonic 5 G
Sedã acomoda bons 477 litros de bagagem, mas hatch decepciona, com apenas 265 litros (Divulgação)
*O jornalista viajou a convite da General Motors do Brasil

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